Esta é uma expressão muito usada para referir o acaso. “A vida aconteceu”. Algo de inesperado, algo que confronta, que perturba o estado de equilíbrio.
Porquê da expressão “a vida acontece”? Nos outros casos a vida, por ventura, não acontece? Julgo que a ideia nasce de uma sentimento e de um tipo de experiência muito concretos, que nos marcam, que nos mudam, que vão para lá da nossa rotina e do que estamos habituados. Dizemos que a vida acontece quando percebemos que já nada é o mesmo, quando sentimos o fluir da vida pulsar no mundo, quando nos apercebemos que nada pára, pelo menos completamente, que a vida é constante mudança. Nestas alturas, quando “a vida acontece”, é como se a carcaça do conforto do habitual fosse derrubada num só golpe. Somos confrontados connosco, no nosso estado mais básico.
A vida acontece. Esta expressão não deveria ter tanto poder, não deveria significar tanto. A vida acontece todos os dias, os desafios batem-nos à porta incessantemente. A maioria rejeitamos, mergulhados na nossa incapacidade, outros ficam como aliciantes, mas para mais tarde, e outros ainda que nos fazem sentir pequeninos. Rapazes e não Homens. Mas não devemos, não podemos, desistir nunca. Com coragem e um sorriso, não há nada de que não sejamos capazes. Excepto quando a vida acontece.
JDC
P.S.: perdoem-me, as leitoras femininas deste blog, a expressão “Rapazes e não Homens”. Encarem-na de uma forma pessoal minha e que, como tal, poderia muito bem estar “Raparigas e não Mulheres”.