autocrítica de humildade (atrasada)
que a estabilidade lógica
de quem não quer explodir
faça bem ao escudo que és”
JDC
Domingo, 14/09/2008 - 09:16 — Igor Caldeira
“A Nova Democracia não faz a coisa por menos quando quer combater os defensores dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo: o coordenador da ND de Braga, Carlos Borges, perguntou ao PS e ao BE do seu distrito o que pensam a respeito da poligamia, da bigamia e do casamento entre irmãos.
Deplorando a provocação no que à dimensão prática concerne - não conheço ninguém que pretenda casar-se com duas ou mais pessoas, ou com o irmão ou irmã - louvo-lhe no entanto o desafio intelectual que a questão representa. A nossa instintiva resposta será dizer que são situações diferentes; mas não são. O problema para quem defenda o casamento homossexual mas se oponha a estas três hipóteses é o mesmo que se coloca a quem se opõe ao casamento homossexual.
O nome desse problema é cultura; perdoem-me os antropólogos pela leviandade, mas a cultura é essencialmente (não sempre, mas habitualmente) um aglomerado de preconceitos não submetidos a um exame crítico. São hábitos de pensamento e de acção e não têm a dimensão radical que só a Razão pode dar a qualquer posição.
A resposta às perguntas colocadas pela Nova Democracias faz-se por quatro ou cinco perguntas:
Maioridade, Consciência, Ausência de Coerção, Soberania Individual e Reversibilidade são as pedras de toque de qualquer questão comportamental. Por muito que os nossos preconceitos nos digam que não, não há nenhum argumento extraível do conceito de Liberdade que nos impeça de aceitar qualquer uma das três situações referidas, cumpridos os pressupostos acima indicados.
Pela minha parte, o desafio maior (aquele que me repele) é o do casamento incestuoso. Há um argumento bastante interessante aqui, que é o da “saúde pública” (ou seja, a consanguinidade). Nem vou referir que há filhos sem casamentos e casamentos sem filhos; fiquemo-nos por isto: quem está disposto a defender que deficientes (trissomia 21, anões) sejam impedidos de procriar, que dê o passo em frente”
É, de facto, um exercício interessante. Aqui fica bem expressa a dificuldade de regulação da sociedade quando aquela é despida de uma moral. Ou seja, sem um fundamento moral, nada impede a poligamia. a bigamia ou o incesto. Por isso, a proibição destas uniões estará, à partida, condenada a desaparecer.
Então porque não desaparece? Se retirarmos a inércia cultural da equação ficamos com o simples facto de que a sociedade tem que, tendencialmente, proteger os mais fracos. Das 5 perguntas propostas, o ponto 2 e 3 são os mais difíceis de garantir! No caso da poligamia, será muito difícil garantir que uma das muitas mulheres (ou vice-versa) não se esteja a sujeitar a uma situação por desespero ou por falta de alternativas. Deste modo, mascarar-se-ia um problema com uma exploração velada do ser humano. É, portanto, importante que a sociedade proíba certos comportamentos que facilmente resvalem para o abuso do individuo mais fraco para que, assim, se veja obrigada a confrontar-se com os verdadeiros problemas das pessoas.
JDC
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“Rui, Porto, Mundo Lá vem o PP com o populismo do costume e os carneirinhos todos a concordar. Faço uma pergunta a todos os apoiantes deste neo-fascista: quem lhes deu a vocês mais direitos sobre a estarem neste país do que aos emigrantes? Deus? Ou o acaso de terem cá nascido? Que diferenças existem entre vocês e os emigrantes? O terem, nalguns casos, cometido crimes? Isso também vocês os cometem. Eu apoio tratamento igual para pessoas iguais (para mim são todas iguais, excepto tipos como o Paulo Portas), por isso, se cometem crimes que os paguem da mesma forma que os portugueses.”
Obviamente que os imigrantes são pessoas como nós, devendo ser tratados como tal. Mas o grande problema nestas questões é a escassez de recursos. Se alguém de fora pretende vir trabalhar para Portugal e fazer a sua vida honestamente poderá fazê-lo. No entanto, um país não pode aceitar TODOS os que o queiram fazer porque, pura e simplesmente, não há condições para tal! Seria como se uma empresa fosse aceitando todos os candidatos a um lugar nesta.
Como, então, decidir quais as pessoas que o país pode acolher e quais as pessoas que o país deve recusar? A criminalidade é, obviamente, um factor chave. Um imigrante nunca poderá ser fonte de criminalidade sem que isso acarrete sentimentos de xenofobia e nacionalismos patrióticos que, às vezes, se tornam violentos. Isto é, o segredo de uma imigração bem sucedida, quer para o país de acolhimento, quer para a pessoa imigrada, é a completa integração do indivíduo na sociedade. Se cometer um crime deve pagar da mesma forma que os portugueses? Sim, claro, mas um imigrante criminoso não pode esperar que a sua estadia continue a ser aceite quando já deu provas de uma deficiente integração.
JDC
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