Thursday, July 10, 2008

Nem tudo são rosas

Os princípios gerais do MLS até são interessantes. Mas há coisas que ainda torço o nariz:

- sobre isto acho que ainda há muito a discutir. Sinceramente, simplesmente acho mal o Estado continuar com a apropriação da figura do casamento em termos legais. Será só uma questão de nome? Para mim, cristão, não. Para quem é cristão, o “casamento” é muito mais do que um conjunto de deveres e direitos registados judicialmente. É uma afirmação de vida e carácter extremamente profunda, em comunhão com o Amor de Deus. Devem os casais homossexuais ter direito á figura da “herança”, “dívidas” ou “regime patrimonial”? Sim senhora. Mas, o casamento é muitíssimo mais do que isso…

- sobre a legalização da cannabis devo dizer que discordo completamente. São muitíssimos os estudos que mostram os efeitos preversos a longo e curto prazo. Só quem nunca lidou com um consumidor assíduo de cannabis pode achar que os seus efeitos são pacíficos. Mas e então o álcool e o tabaco? Acho que o tabaco deveria ser taxado severamente (sim, ser bastante mais caro do que já é), por exemplo. Porém, o consumo de álcool e tabaco já está tão enraizado na sociedade que é impossível proibi-lo, mesmo tendo em conta todos os seus efeitos nefastos. Por isso mesmo, não precisamos de mais uma droga para “ajudar a festa”.

- a eutanásia é uma figura muito complicada. É muito difícil garantir que alguém que está em sofrimento queira morrer ao invés de, simplesmente, deixar de sofrer. Julgo que a eutanásia é um convite ao desinvestimento dos cuidados paliativos…

- a adopção por casais homossexuais é outro assunto muito complicado. Julgo que o crescimento saudável de uma criança necessita de uma figura materna e de uma figura paterna. Por outro lado, será que duas figuras maternas ou duas figuras paternas não serão melhores do que nenhuma figura parental de todo? Neste tópico, o que realmente importa é o bem-estar da criança, o que é melhor para ela. É aqui que se deve centrar o debate e não nos direitos dos homossexuais.

Por favor, agridam-me violentamente na caixa de comentários.

JDC

Posted by templars in 19:17:48
Comments

7 Responses

  1. Sara says:

    Não podia concordar mais… =) Em questões tão complexas, acho raro que isto aconteça, mas concordo realmente contigo! Beijinho, Zé. *

  2. Martino says:

    Só porque é tarde, um cometário sumaríssimo:

    - Casamento não é sobre sexo, é sobre amor. Homem com homem, mulher com mulher, homem com mulher, e outras combinações possíveis; é com cada um. Por cá, desde 1910 que a Igreja deixou de ter o monopólio do matrimónio. Portanto, yay! ao casamento homossexual, civil, laico e livre.

    - Yay! à legalização da cannabis. “No victim, no crime”. Sou total e radicalmente favorável à legalização de todas as drogas. Da mesma forma que sou total e radicalmente opositor da liberalização de toda e qualquer droga (tabaco e alcoól incluidos).

    - À eutanásia não digo yay! porque o assunto é demasiado sério. Mas apoio. Uma pessoa em sofrimento extremo tem direito a uma morte digna. Não é um convite a nada porque a decisão é puramente pessoal. Os cuidados paliativos são muito giros mas não fazem milagres, temos de admitir os limites das coisas.

    - Yay! para a adopção por parte de casais homossexuais. “Julgo que o crescimento saudável de uma criança necessita de uma figura materna e de uma figura paterna.” Mães e pais solteiros, ficam proibidos de criar filhos, por esta lógica. E ser heterossexual não é um atestado imediato de boa ma/paternidade, assim como ser homossexual não é uma deficiência neste campo. “Por outro lado, será que duas figuras maternas ou duas figuras paternas não serão melhores do que nenhuma figura parental de todo?” Dito assim parece que uma familia destas seria sempre uma segunda escolha, uma “família menor” ou de “segunda categoria”. O que roça a homofobia, diga-se.

    Ou seja, nao concordamos em nada, acho =P

  3. Anonymous says:

    Ponto 1: não cabe ao Estado legislar sobre afectos. Seria incomportável haver regulamentações de amor e carinhos. Daí que, do ponto de vista jurídico e Estadual, o casamento só pode ser visto como a integração de dois indivíduos que partilham uma casa, recursos, etc. Por outro lado, como tu disseste, a Igreja deixou de ter o monopólio do casamento. O problema é que, tal como o vemos hoje na sociedade portuguesa, o “casamento” É uma instituição cristã. Pelo que sou a favor da abolição da designação casamento na forma jurídica. Se alguém não é cristão, para que raio quer apregoar que é casado?

    Ponto 2: o teu ponto de vista é o único que eu poderia aceitar. Mas há um grande problema: partes do princípio que as pessoas estão sempre bem informadas e que tomam sempre a melhor decisão, o que não é verdade de todo! Quantos conheceram os efeitos, na totalidade, da metanfetamina, da heroína? E, já agora, da cannabis? São inúmeros os estudos que mostram que o THC é potenciador de esquizofrenia, por exemplo… Conseguirias garantir que cada pessoa que optasse por consumir uma droga dessas estaria sempre bem informada?

    Ponto 3: como te disse, a legalização da eutanásia seria um convite ao desinvestimento dos cuidados paliativos e uma grande fonte de problemas. Quantos idosos, mesmo sem grandes problemas de saúde, se sentem um empecilho ás suas famílias e entram em depressão, ficando com vontade de morrer? Onde traçarias o limite entre o que é sofrimento aceitável para se permitir a eutanásia e o que não é?

    Ponto 4: obviamente que mães e pais solteiros não ficariam proibidos de criar filhos. Mas tens que concordar que ter uma mãe e um pai é sempre melhor do que ter só uma mãe ou só um pai, não? Nem eu discuto se ser-se homossexual é um atestado de boa ou má paternidade. O que apenas quero discutir são os interesses da criança. Mas se tu dizes que crescer com dois pais ou duas mães ou então com um pai e uma mãe é a mesmíssima coisa, então a nossa discussão pára aqui. E olha que não é uma questão de homofobia, é uma questão de psicologia do crescimento… A falta de uma forte figura paterna pode ser fontes de desiquilibrio nos adolescentes, por exemplo. Eu não sou psicólogo e, a verdade, é que não há estudos neste campo porque não se pode estudar famílias homossexuais com filhos porque, simplesmente, ainda não é permitido.
    Mas o que é realmente importante discutir neste ponto, volto a dizer, são os interesses da criança. Fazer disto uma bandeira dos direitos dos homossexuais é egoísmo, desculpa lá.

    P.S.: essa de, por eu achar que uma criança tem um crescimento mais saudável num seio heterossexual do que homossexual, estar a roçar a homofobia é um discurso muito próprio de uma esquerda caciqueira, incapaz de lidar com posições diferentes da dela. Afinal de contas, estamos a discutir numa base de convicções ou não? Consegues provar-me, por A+B que estou errado? Se o conseguires e, mesmo assim, eu não mudar de opinião, aí sim, é homofobia. Até lá, deixa-me discordar de algumas ideias “progressistas” sem ser acusado de nada. Senão perde-se a oportunidade de debater…

  4. Martino says:

    1 - Assim tudo bem. Se a designação “casamento” for só para cristãos e os outros tiverem uma designação diferente, então tudo certo. A mim só me interessa a igualdade entre as pessoas, sem descriminações com base nas suas opções sexuais.

    2 - O Estado não tem de ser paternalista e tratar toda a gente como se tivesse 2 anos. Por isso é que há uma distinção entre adultos e menores, há uma coisa chamada responsabilidade e liberdade individual. Garantes que todos sabem os reais malefícios de comida fast-food, por exemplo? E esta está à disposição de menores de idade, ainda por cima. Para além do mais, há drogas de qualquer maneira, legais ou ilegais. Ao menos assim as receitas não iam parar aos grupos mafiosos e seria possível inspeccionar a actividade.

    3 - Essa não é uma opção tomada levemente. Ninguém acaba com a sua vida por “dá cá aquela palha”. Se houver uma avaliação psicológica prévia ao doente parece-te mais aceitável?

    4 - Egoísmo? Egoísmo foi recusar, de início, que famílias homossexuais pudessem existir, apenas por serem diferentes. E, aí é que te enganas, elas existem. Não só em países onde tal é permitido (Espanha, por exemplo) como mesmo em Portugal há casos de famílias homossexuais com filhos (passou há tempos uma reportagem, nao me lembro em que canal).
    Não entendo o adjectivo “caciqueiro” neste contexto =P. Caciquismo é algo totalmente diferente, parece-me. Mas adiante, era esse o discurso (ou em parte) utilizado para proibir o divórcio há algumas décadas atrás. E dos exemplos que tenho lido, não me parece que as crianças que vivem com um casal homossexual padeçam de graves deficiências educacionais / comportamentais. Aliás, justifica-me tu porque é que haveriam de ter, eu sinceramente não percebo tanto preconceito.

  5. Martino says:

    http://www.youtube.com/watch?v=qbzkpSWFa0k

    Aqui está a reportagem, da SIC.

  6. Martino says:

    E, ainda, a falta de uma figura parental ou maternal nunca foi problema para a Lei, excepto no caso dos homossexuais. É possível uma pessoa singular adoptar uma criança.

  7. Anonymous says:

    Em 1 estamos conversados, então!

    Em 2, é uma questão “de gosto”. Saberás, por certo, a necessidade de alguns medicamentos só serem vendidos com receita médica ou a necessidade de entidades reguladoras de novos fármacos. Não é expectável que o público conheço todas as incidências de todos os produtos. Como as drogas fazem mal, nalguns casos muito mal, é razoável que sejam proibidas. Por favor, não compares os malefícios de comida de plástico com, por exemplo, do haxixe ou cocaína, até porque aquela não vicia como estas.

    Em 3, em situações de depressão, o que para ti parece “dá cá aquela palha” é exponenciado, levando a que as pessoas tomem decisões muito estúpidas. Estás a partir do pressuposto, tal como em 2, que as pessoas tomam sempre a melhor decisão em todas as circunstâncias, o que é uma falha no libertarismo (e até, em menor grau, no liberalismo). Uma comissão avaliadora para cada caso reconfortar-me-ia, sim.

    Em 4, quando eu dizia que não existiam em Portugal, era em termos oficiais. Como as bruxas, “não acredito nelas, mas que las hay, hay”. Quando dizes que as crianças criadas por um casal homossexual não sofre de deficiências educacionais/comportamentais é, por enquanto, a tua opinião. O experimentalismo social já resultou em muitos desastres e vais-me desculpar se o meu lado mais conservador exigir que me provem que, de facto, não há problema nenhum para as crianças. Mudar porque PARECE bom não pode ser argumento. (desculpa o caps, mas aqui não dá para sublinhar). E quanto a pessoas singulares poderem adoptar, lá por ser possível não quer dizer que eu concorde, não é? Mas ao menos concedes-me a importância que um pai e uma mãe, cada um da sua forma, têm no desenvolvimento de uma criança, onde, por serem diferentes, complementam-se e completam-se? Se me mostrares, tão cientificamente quanto possível, que a orientação sexual em nada prejudica esse aspecto, dou a mão á palmatória! E volto a dizer, isto é uma discussão acerca das crianças e não dos supostos direitos de uma minoria.

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