Discursos de Direita
Além do link, deixo alguns comentários, resultado de uma acusação do meu pai de ser um discurso “demasiado á direita” Não sei a orientação política do governo australiano, mas sei que não é fascista. Antes de dizer porque gosto deste texto, deixa-me por bem claro que não falo de emigração humanitária. Quem foge de um país por questões de guerra ou perseguição deve ser acolhido e ajudado. Vou dizer, então, porque gosto deste texto:
“Os imigrantes não-australianos devem adaptar-se. É pegar ou largar! Estou cansado de saber que esta nação se inquieta ao ‘ofendermos’ certos indivíduos ou a sua cultura. Desde os ataques terroristas em Bali, assistimos a uma subida de patriotismo na maioria dos Australianos”.
Diz o ditado: uma vez em Roma, sê romano. Ao longo da história, os emigrantes aceitaram e assimilaram, de forma mais ou menos profunda, a cultura do país de acolhimento. Nem podia ser de outra maneira. Hoje em dia, com o politicamente correcto levado ao extremo, já não esperamos que os emigrantes se integrem na sociedade e cultura do país de acolhimento. Ao invés, aceitamos e glorificamos a variedade multi-cultural. Resultado? Assimetrias e choques culturais que geram tensão social. Não digo que os emigrantes devam renegar a sua cultura de origem, simplesmente, “uma vez em Roma, sê romano”.
“A nossa língua oficial é o Inglês; não é o Espanhol, o Libanês, o Árabe, o Chinês, o Japonês, ou qualquer outra língua. Por conseguinte, se desejam fazer parte da nossa sociedade, aprendam a nossa língua!”
Achas que faz algum sentido ires emigrar para um país e não aprenderes a língua oficial desse país? Para uma integração bem sucedida é essencial saber a língua do país de acolhimento, senão estarás sempre marginalizado e em inferioridade em relação aos demais.
“A maior parte dos Australianos crê em Deus. Não se trata de uma obrigação cristã, de influência da direita ou pressão política, mas é um facto, porque homens e mulheres fundaram esta nação sobre princípios cristãos, e isso é ensinado oficialmente. É perfeitamente adequado afixá-lo sobre os muros das nossas escolas. Se Deus vos ofende, sugiro-vos então que encarem outra parte do mundo como o vosso país de acolhimento, porque Deus faz parte da nossa cultura”
Esta deve ser a parte que tu achas de extrema-direita. De facto, este parágrafo não é o que se espera de um estado laico. Mas repara na segunda frase. As leis e costumes de um país fazem-se ao longo de séculos e terão sempre a sua base em sistemas filosóficos. O cristão é dos mais antigos de todos. E quanto á última frase, proponho o sentido inverso: se emigrasses para um país muçulmano, como Marrocos, Irão, Paquistão, Arábia Saudita, etc, farias o que se anda a assistir, por exemplo, na Suécia? Sabias que a Suécia é dos maiores países de acolhimento de emigrantes, sobretudo muçulmanos, e que se tem assistido a uma crescente radicalização destes naquele país? Devido a este politicamente correcto, não se exige um mínimo de integração por parte dos emigrantes e, no fim, acabamos com “bolsas” de comunidades estrangeiras dentro do próprio país. Repara que a Suécia tem um sistema social altamente protector, que os suecos são altamente tolerantes e o que temos assistido é manifestações anti-ocidente nas ruas suecas por parte de emigrantes (legais) muçulmanos contra os “costumes libidinosos” dos suecos (particularmente das suecas). O irónico disto tudo, é que 90% dos muçulmanos emigrados na Suécia estão desempregrados e a receber subsídio do Estado, pago pelos contribuintes suecos que tanto os ofendem. Eu não emigraria para um país cujos costumes me ofendessem nem tão pouco posso exigir ao meu país de acolhimento que mude séculos de construção cultural, só porque me ofendem.
“Nós aceitaremos as vossas crenças sem fazer perguntas. Tudo o que vos pedimos é que aceitem as nossas e vivam em harmonia e em paz connosco.”
Isto é do mais elementar que há! Sou completamente contra, por exemplo, a proibição do véu nas escolas francesas. Tem de haver uma base de entendimento e tem de haver cedências de parte a parte. Só assim poderemos viver em harmonia. Este é o nosso país, a nossa terra e o nosso estilo de vida. E oferecemos-vos a oportunidade de aproveitar tudo isto. Mais uma passagem que atesta a minha teoria de “não-extrema-direita”, pois é reconhecida a emigração como oportunidade de algo melhor.
“Mas se vocês têm muitas razões de queixa, se estão fartos da nossa bandeira, do nosso compromisso, das nossas crenças cristãs, ou do nosso estilo de vida, incentivo-os fortemente a tirarem partido de uma outra grande liberdade australiana: o direito de partir. Se não são felizes aqui, então partam. Não vos forçámos a vir para aqui. Vocês pediram para vir para cá. Então, aceitem o país que vos aceitou”.
Repara, ainda há pouco tempo foste a Marrocos, no Ramadão, e não te queriam deixar beber álcool. Ou então, quantas cenas por causa da Maria José passaram vocês nos restaurantes? Se emigrasses para lá, qual era a tua obrigação? Forçar os Marroquinos a mudar os seus costumes e hábitos? Achas que alguma vez eles aceitariam isso? Obviamente que esperarias que eles não te obrigassem a não beber álcool, porque isso é um costume moral intrínseco à religião deles (que, por acaso, não é obrigação nenhuma, é um conselho do Profeta). A isso, e tu sabes muito melhor que eu, chama-se laicização do Estado, correcto? Então como podem os emigrantes ofender-se com um país de acolhimento porque este não age a preceito dos seus costumes morais? Não será isto uma total inversão de posições?
Alguém, quando emigra e escolhe o seus país de acolhimento já sabe para o que vai. Não pode ir com espírito de missionário, tem de se sujeitar às regras da “casa” e, quando muito, tentar influencia a política desse país, mas nunca com atitudes de “madalenas ofendidas” ou revolta. O país de acolhimento concede um privilégio ao emigrado (partindo do pressuposto que o trata com dignidade). Obviamente que a emigração também traz benefícios ao país de acolhimento, pois toda a gente sabe, por exemplo, que os emigrantes, regra geral, ocupam os postos de trabalho que os autóctones não querem. É uma relação de benefício mútuo que só pode durar se o emigrante se integrar na comunidade. O politicamente correcto conduz à tolerância sem limites, ao aceitarmos a intolerância dos outros.
JDC
Um comentario otimo e inteligente…que acontece em todos os países do mundo, sou brasileira e logo me aposento e penso emigrar, tenho as minhas limitações morais, mas creio ser uma pessoa inteligente de não querer mudar os costumes seculares de outros povos, imagina…RESPEITO acima de tudo, abraços… Rosane/Itapetininga-SP/Brasil