Sunday, January 20, 2008

A propósito do Papa e da Universidade de Roma…

Faz tanto sentido convidar o Papa para discursar na sessão de abertura do ano lectivo da Universidade (e não da faculdade de ciências) como qualquer outro filósofo/pensador de relevo. O que realmente me faz confusão, isso sim, é que a opinião do Papa é non-grata logo a priori por ser católico, por ser uma posição formada no espaço da sua religiosidade.
  Por outro lado, apesar de não ter sido fisicamente impedido, a pretensão de quem protestou foi precisamente essa! Quem reuniu as assinaturas, quem colocou tarjas e acampou no campus tinha como objectivo, precisamente, impedir a participação do Papa na cerimónia. Ora, é precisamente isso que não se enquadra no espírito Universitário! Essas pessoas deveriam discutir a sua dialéctica ou, simplesmente, não ir á sessão de abertura. Já viram se de cada vez que fosse convidado alguém que despoletasse estes sentimentos num conjunto dos +150 mil elementos da Universidade, esses oradores deixassem de participar? Concerteza que a Universidade ficaria muito mais pobre…
  Aos cientistas, e população em geral, basta-lhes ouvir falar em catolicismo ou religião para desconsiderarem por completo qualquer tipo de valor dialético à questão. Esquecem-se, por ventura, de grandes pensadores como Newton, Espinosa, Kierkegaard, Descartes, entre tantos, tantos outros…

JDC

Posted by templars in 04:18:20 | Permalink | No Comments »

Cabeça levantada

É normal ter-se medo. O medo será a mais primária das reacções e, sendo tão primária, aflige-nos constantemente. Até nas situações mais importantes e felizes da nossa vida, ele está lá. Temo medo.
 
  Mas temos medo de quê? De nós? Dos outros? Da vida? Porque será que nos enmaranhamos nos “ses”? Não há nada positivo no medo. Aliás, o medo é tão negativo que nos faz recordar mil vezes mais as falhas do que os sucessos. Porque será que nos lembramos sempre dos exames que correram (mesmo) mal? Porque será que nos lembramos sempre mais do que nos arrependemos? Porque será que, invariavelmente, escolhemos situações de grande sofrimento como os principais momentos que nos definem?
  
  Porque temos medo. Temos medo que aconteça de novo, temos medo de errar, pior, temos medo de voltar a errar. Então perguntamos, “será que estou certo?” “Será que devo?” “Será que vai resultar?” Temos medo de errar.
  Crescer, então, é ganhar este conflito interno, é aceitar o medo, ouvi-lo, escutar o seu conselho, mas sem nunca deixar que ele nos guie. Porque ter medo de errar é querer aprender. Uma vez disseram-me que ser adulto era, na maior parte do tempo, ter que fazer não o que queremos, mas o que temos que fazer, ser fiel às nossas convicções, ser conscientes das nossas responsabilidades. Porém, só se consegue ter esta verticalidade quando acreditamos em nós mesmos. É conseguir ultrapassar esta reacção primária, ir mais longe. Vamos errar? Sem dúvida. Vamos sofrer? Inevitavelmente. Mas a vida é mais do que não sofrer. A vida é tão mais do que isso…
  
  A vida é ser-se livre. Sem libertinagem, com medo, com sentido! Ser-se livre com medo?! A libertação aparece quando aceitamos os nossos demónios e tomamos o controlo. A libertação surge quando nos definimos e aceitamos a nossa humanindade, o nosso receio, olhamos de cabeça levantada e, mesmo com todo o medo do mundo, damos um passo em frente…

JDC

P.S.: Um dia continuo este post…

Posted by templars in 03:46:31 | Permalink | No Comments »