Da leitura do Mero Cristianismo - Post 6
Livro II - em que crêem os cristãos
1- Duas concepções de Deus
2 - A invasão
Nestes dois trechos, o autor continua a explorar a noção inata e imediata de Deus no Homem partindo, daí, para uma construção simples e eficaz da natureza desse mesmo Deus. Não encontrei nenhum motivo de discussão a não ser numa perspectiva algo manequeísta do mundo. Lewis, de facto, acentua enormemente na divisão entre Bem e Mal, entre acções boas e acções Más. Achei muito curiosa a sua argumentação que o Mal depende do Bem, que ninguém age por pura maldade mas sim sempre com um objectivo (que pode ser bom em si mesmo). Ou seja, o Mal surge quando o ser humano, para atingir um fim, opta por caminhos incorrectos, aproveitando-se de alguém, tirando partido indevidamente do que quer que seja.
O próprio autor admite que a crença cristã (na sua opinião, obviamente) se aproxima muito do dualismo. Por outro lado lança a ideia de que o Mal se apoderou da sociedade contemporânea e descreve o mundo da seguinte forma:
“Um território ocupado pelo inimigo, eis o que é este mundo!”
É, realmente, uma boa forma de introduzir a culpa cristã, de vida em pecado permanente. Sinceramente, da minha experiência pessoal, julgo que não precisamos de ser tão dramáticos. A culpa cristã é um aspecto muito atacado por todos os ateus, pela sua aparente contradição com a Palavra Libertadora de Jesus. Quando me confronto com esta culpa, vejo em mim mesmo os meus defeitos, as minhas falhas, tudo aquilo que me arrependo e que poderia ter feito de outra maneira. Mas não vejo os tentáculos de um polvo a corromperem-me, não me vejo contaminado por algo de nefasto e rude. Encaro a culpa cristã como um acto de humildade e serenidade porque me confronto com aquilo que sou e com aquilo que poderei ser. Ninguém nasce ensinado e acredito firmemente que, desdo o dia em que nasci até ao dia em que morrer, não passará um único dia em que não aprenda algo de novo. Por outras palavras, se erro é porque estou a aprender, porque me estou a construir em todos os aspectos da minha existência!!!
Mas como fazer essa construção? Como devo encarar as minhas falhas? Como poderei encontrar a paz e a serenidade próprias de alguém de consciência tranquila? É precisamente aqui que enquadro o meu lado religioso e espiritual. Tento ter a humildade para ouvir o que Alguém disse há 2 mil anos atrás, tento escutar o que me diz a tal Lei da Natureza. Irei sempre consegui-lo? Claro que não. Mas uma vida faz-se de aprendizagem.
JDC
P.S.: Os blogs são as cartas da actualidade. Com a vantagem de serem sempre cartas abertas aos demais. Há, de facto, coisas que devem ser ditas, porque o discuro oral é sempre mais fluido e interactivo. Mas julgo que teremos a oportunidade para tal na GBU não?