Tuesday, February 27, 2007

Liberalismo

O que é isso de ser-se liberal? O que é o liberalismo num estado democrático? É a completa ausência de valores éticos e morais conjugados na legislação? É a crença absoluta do “bom selvagem”, de que as pessoas sempre tomaram as melhores decisões, as mais racionais, as mais correctas?

Vivemos no fio da navalha entre o “big brother” nascido do terrorismo e o liberalismo nascido algures no século XVII e emergente no pós-II Guerra Mundial… Como podemos estar numa sociedade onde o chavão “big fences make good neighbours” é uma espécie de metáfora massificada? Quem hoje em dia bate á porta do vizinho para pedir um bocado de açúcar? Quem tem festas organizadas pelo bairro (como eu já tive há longíquos tempos)?

Queremos segurança, queremos controlo sobre os criminosos mas queremos que nos deixem em paz com as nossas acções, porque são só nossas e a mais ninguém diz respeito. Assim, ser-se “pró” é moderno, é avançado, culto, inteligente. É, como diria Eça, chique. E ai daqueles que são “contra”, que se expressão contra aquilo que consideram anti-ético e amoral, que querem interagir, que querem, no mínimo, ajudar quem precisa de tomar uma decisão difícil…

É um “‘Estranhável’ Mundo Novo” este em que vivemos. A ética reduzida ao privado, maximização de liberdade e, paradoxalmente, do controlo do indivíduo, segundo leis que já não sei muito bem em que se baseiam… Uma autêntica caixinha de Pandora, esta que se abre, trinco após trinco, numa espécie de retorno à anarquia.

No fim, para baralhar ainda mais o conceito, são os grupos de esquerda, os comunistas, os maiores apregoadores do liberalismo, suspirando, ao mesmo tempo, pelos tempos daquele regime virado a nascente onde o Estado era o “grande irmão” que tudo via, tudo podia e (quase) nada dava.

Mas que chatice, eu tenho mais com que me preocupar, os outros façam como quiserem…

 

JDC 

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Sunday, February 25, 2007

Não fui eu que disse, mas até podia ter sido!…

It’s not enough that we do our best; sometimes we have to do what’s required.
 
Sir Winston Churchill
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Tuesday, February 20, 2007

A troca

Alberto João Jardim demitiu-se. A pergunta é: o que é que os madeirenses querem em troca.

 

JDC 

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Tuesday, February 13, 2007

Ajudas

Depois da vitória do SIM, no referendo, fiquei desanimado. Pensava que a mensagem tinha sido mais difundida, que as pessoas saberiam que esta não é a melhor solução para o problema.

Assim, como tantos dos adeptos do NÃO disseram que poderia acontecer, na declaração de vitória vi uma senhora (não sei precisar quem) a dizer:

“(…)as mulheres vão finalmente poder escolher o método contra-ceptivo que quiserem com liberdade(…)”.

 

Vi o bastonário da Ordem dos Médicos dizer que o SNS “não tem capacidade para atender a todos os pedidos esperados, até porque com a despenalização é natural que o número de abortos seja superior aos 20 mil clandestinos”.

 

Vi, embora numa notícia algo confusa e contradita num jornal, que, embora existirá um período de reflexão que o seja, a consulta de aconselhamento não será obrigatória…

 

Vi uma estatística que mostra que, em Inglaterra, 4 mulheres (em 2005) realizaram o seu… 8 aborto.

 

No meio disto tudo, há apelos para que todos ajudemos na elaboração de uma lei equilibrada, seguindo o modelo europeu (onde há consultas de aconselhamento obrigatórias e, até, comissões de ética que avaliam caso a caso). Mas como posso contribuir animadamente para a elaboração de uma lei que renega a vida humana intra-uterina até ás 10 semanas a menos de nada? Só o posso fazer como alguém que ficou para limpar os cacos, minimizar os danos…

 

JDC 

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Monday, February 5, 2007

Tristeza

   Hoje fui virtualmente insultado por um grupo de apoiantes do Sim, em campanha (deles e minha) lá para os lados da minha Universidade. Fico triste porque fui insultado porque existo, porque tenho uma opinião contrária à deles e porque, como eles, quero expor o meu ponto de vista. Não insultei ninguém. Não insinuei nada. Aliás, no que lhes toca nem lhes dirigi a palavra. Mas fui insultado.

    Fico muito triste que estas pessoas que, ainda por cima, presumo eu, são de esquerda não sejam capazes da tolerância necessária para haver um debate sério, lógico e civilizado. 

    De mim, jamais terão resposta ao mesmo (baixo) nível. Apenas a pergunta: “porque é que estás a falar assim para mim?”. Resposta que me deram? “Porque posso.”

 

JDC 

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