Liberalismo
O que é isso de ser-se liberal? O que é o liberalismo num estado democrático? É a completa ausência de valores éticos e morais conjugados na legislação? É a crença absoluta do “bom selvagem”, de que as pessoas sempre tomaram as melhores decisões, as mais racionais, as mais correctas?
Vivemos no fio da navalha entre o “big brother” nascido do terrorismo e o liberalismo nascido algures no século XVII e emergente no pós-II Guerra Mundial… Como podemos estar numa sociedade onde o chavão “big fences make good neighbours” é uma espécie de metáfora massificada? Quem hoje em dia bate á porta do vizinho para pedir um bocado de açúcar? Quem tem festas organizadas pelo bairro (como eu já tive há longíquos tempos)?
Queremos segurança, queremos controlo sobre os criminosos mas queremos que nos deixem em paz com as nossas acções, porque são só nossas e a mais ninguém diz respeito. Assim, ser-se “pró” é moderno, é avançado, culto, inteligente. É, como diria Eça, chique. E ai daqueles que são “contra”, que se expressão contra aquilo que consideram anti-ético e amoral, que querem interagir, que querem, no mínimo, ajudar quem precisa de tomar uma decisão difícil…
É um “‘Estranhável’ Mundo Novo” este em que vivemos. A ética reduzida ao privado, maximização de liberdade e, paradoxalmente, do controlo do indivíduo, segundo leis que já não sei muito bem em que se baseiam… Uma autêntica caixinha de Pandora, esta que se abre, trinco após trinco, numa espécie de retorno à anarquia.
No fim, para baralhar ainda mais o conceito, são os grupos de esquerda, os comunistas, os maiores apregoadores do liberalismo, suspirando, ao mesmo tempo, pelos tempos daquele regime virado a nascente onde o Estado era o “grande irmão” que tudo via, tudo podia e (quase) nada dava.
Mas que chatice, eu tenho mais com que me preocupar, os outros façam como quiserem…
JDC