Monday, January 22, 2007

Incoerência

Vi isto neste blog, escrito por Fernanda Câncio:

 

“(…)Voto SIM porque quero salvar vidas. Porque quero que haja menos abortos – legalizar o aborto até às dez semanas permitirá saber quantos abortos se fazem, quem os faz e porquê, e identificar formas de combater as gravidezes indesejadas.(…)

Uma lei que permite interromper a gravidez de um feto anão ou com trissomia 21 até às 24 semanas e não permite interromper uma gravidez até às dez semanas é uma lei incoerente e mais, é uma lei iníqua.

Voto SIM porque quero uma lei que se possa cumprir e que seja cumprida. Por todas. Por todos.(…)

Voto SIM porque sou contra a liberalização selvagem do aborto, a que vigora hoje, e a favor da regulação e da transparência.(…)”

Não transcrevi o texto na totalidade pois parecem-me estes os argumentos mais incoerentes…

O primeiro de todos é demasiado óbvio para ser verdade. Como se vai identificar o “porquê” de fazer um aborto (para identificar formas de combater as gravidezes indesejadas), se com o SIM o aborto fica apenas sujeito A PEDIDO da mulher? Aonde está o acompanhamento? O que impede a mulher de dizer ao médico: “quero abortar.” e recusar-se a responder ao que quer que seja?? Ou acham que as mulheres que vão abortar (que nunca é feito de ânimo leve e sempre de consciência pesada…) querem ser sujeitas a um qualquer tipo de interrogatório?

O segundo argumento é chocante ao comparar casos de deficiência (algumas graves e, acrescento, casos de violação) com casos de pura vontade da mulher. É mesmo preciso explicar a diferença?

“Voto SIM porque quero uma lei que se possa cumprir e que seja cumprida. Por todas. Por todos.” E, como tal, a solução é legalizar, abrir a lei. Se ninguém cumpre, legaliza-se. Ou será que se reforçam os meios para o seu cumprimento? Ou será que se luta para que as causas que levam uma mulher a abortar sejam eliminadas? Não será aquele o caminho mais fácil, mais desresponsabilizador, mais egoísta, mais cómodo?

Por último, não acredito que a senhora Fernanda Câncio pense mesmo que, estando o aborto criminalizado, vivamos num clima de liberalização selvagem mas que, ao liberalizarmos essa prática de forma indiscriminada, a pedido, até ás 10 semanas passemos a uma moderação e controlo do aborto. É simplesmente ininteligível.

 

JDC

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Sunday, January 21, 2007

Dois argumentos

Neste momento, a discussão sobre o próximo referendo está centrada em dois argumentos:

- Por parte do SIM, a prisão das mulheres. Argumentam que o flagelo da prisão das mulheres tem que acabar. E por isso é que respondem SIM á total liberalização do aborto até ás 10 semanas.

 

- Por parte do NÃO, em resposta a esta premissa, demonstra-se que, depois das 10 semanas, permanecerá crime na mesma.  Demonstra-se, ainda, a estatística de que, de entre os 20 a 50 mil abortos clandestinos que se efectuam por ano (há números para todos os gostos), apenas uma média de 57 mulheres vêm o seu caso chegar a tribunal. Estar-se-á a violentar assim tanto as mulheres ao ponto de se responder SIM a esta pregunta:

“Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?”

Será que se deve passar do caso actual para o seu oposto? Não será que existem pessoas, tanto agora como no futuro, que vejam no aborto uma solução fácil em vez de recurso?

As coisas estão bem como estão? Não. É óbvio que ainda muito tem que ser feito. Descriminalizar a mulher que aborta? Talvez, é outra discussão. Mas parece-me claro que este não é o caminho para a solução do flagelo do aborto.

 

JDC

 

P.S.: nem quero entrar pelos diversos outros argumentos que demonstram que a liberalização do aborto até ás 10 semanas é extremamente injusta e incorrecta e que em muito pouco ajudaria as mulheres que tomam a decisão de abortar por não terem condições (sociais e/ou económicas) para criar um filho. 

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Thursday, January 18, 2007

Dinheiros e o SNS

Não gosto do argumento do dinheiro na discussão sobre o próximo referendo. Acho cru e muito desumano! Não deixa, porém, de ser um argumento legítimo:

- Porque deve o SNS (todos nós…) pagar uma intervenção cirúrgica para a qual nem sequer temos justificação? Sendo o aborto A PEDIDO, a grávida apenas terá que solicitar a intervenção, sem ter que responder a nada nem ninguém. Assim, nunca se saberá se a referida grávida o está a fazer porque o patrão lhe disse que a demitia, porque o marido lhe ordenou, se é porque não tem capacidades económias para criar o filho (e pensar que na Alemanha atribuiem subsídios a quem tem filhos, por cada filho….) ou se, simplesmente, não lhe dá jeito.

Sinceramente, cada pessoa tem direito á sua privacidade. Não quero que os relatórios médicos sejam publicados, seria um absurdo. Mas se a grávida está, então, a exercer um “direito” sobre o seu corpo, porque é que é uma responsabilidade de todos nós? Porque devemos responsabilizarmo-nos por quem não tem possibilidades financeiras e vive num autêntico pesadelo social. Então o aborto clandestino é um problema social e, com tal, deve ser tratado com medidas sociais. Além disso, se se trata de um problema social, as grávidas não estão, efectivamente, a tomar uma opção, pois só se pode escolher quando há alternativas, quando, enfim, se é livre!

 

JDC 

 

P.S.: A sério, contradigam-me! 

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Monday, January 15, 2007

Confusões

Como é que as sondagens acerca do proximo referendo mostram a seguinte contradição:

 

- 60% intenção de voto no SIM;

 

- 49% contra o aborto “por desejo da mulher”;

 As pessoas não conhecem a pergunta? Não sabem ler? Será isto a tão proclamada iliteracia funcional dos portugueses?

A pergunta é:

“Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?”

 

Qual é a parte de “por opção da mulher” que não inclui o simples “agora não quero”?

 

JDC 

Posted by templars at 16:39:47 | Permalink | Comments (1) »

Friday, January 5, 2007

Alguém me explica?

“Se for necessário recorrer aos privados para fazer abortos é o Não que tem culpa disso”

                                                                                                           Odete Santos

 

 

Só queria que me explicassem o que é que a senhora deputada Odete Santos quer dizer com esta afirmação. É que o próprio ministro da saúde já afirmou que os abortos em hospitais públicos terão sempre de identificar a mulher sujeita a IVG. Nas clínicas privadas não. A cada dia que passa, como vi nalgum lado, este referendo parece-me uma discussão sobre um tema diferente ao da pergunta que vai ser feita. É que nenhuma mulher que tenha abortado com menos de 10 semanas foi, até hoje, sequer acusada de nada… Já não sei o que dizer…

 

JDC 

Posted by templars at 17:17:48 | Permalink | Comments (1) »

Thursday, January 4, 2007

Quem sabe…

“A ciência médica vem demonstrar que só artificiosamente se podem estabelecer divisórias nesse todo contínuo que é a vida humana.”

 

 ANTÓNIO GENTIL MARTINS

 

JDC 

 

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