Eu voto não
Não vou aqui pregar o “não” ao próximo referendo. Não tenho carisma social para vos convencer. Mas quero que reparem em algo que me parece fundamental para responder á questão:
Ao contrário do prisma da esquerda, que só vêm a mulher grávida e os seus direitos e a inevitável negação do controlo sobre o seu próprio corpo, parece-me que o essencial é discutir a vida que se gera e se torna humana. Isto é, não pretendo obrigar nenhuma mulher a ser mãe e a amar o seu filho; pretendo que nós, como sociedade, protejamos os direitos de quem, mais do que qualquer outra pessoa no mundo, não tem como se manifestar, como marcar presença, como manifestar-se, fazer greve ou aparecer na televisão. Pretendo responsabilizar as mulheres e os homens pelos seus actos, pois se a gravidez é indesejada, que se evite. Se não se quer ser mãe (nem pai) não é no aborto que está a solução.
Mas mesmo assim, se se quiser falar dos pobres e mais desfavorecidos socialmente que não têm acesso a meios contra-ceptivos e etc falo em duas coisas:
- IPJ - são de graça.
- Já imaginaram (caso ganhe o sim) a mulher entre os 15 e os 25, vivendo num bairro social, engravidada pelo seu namorado com mais 5 anos que ela que não quis usar o preservativo, a sofrer a pressão constante de todos á sua volta para abortar, quando ela não o quer fazer? Não é um episódio absurdo nem tão pouco seria incomum. Não estaria aí uma violação ainda maior do direito da mulher sobre o seu corpo que, por ser uma violação velada e silenciosa, seria ainda mais grave?
Claro que não podemos assobiar para o lado e dizer que tudo está bem. Uma mulher que aborte não merece ir para a cadeia: todos os que a ajudaram sim. Como sociedade, ao impormos regras temos que, ao mesmo tempo, possibilitar o seu cumprimento de forma aceitável e castigar de forma justa cada responsabilidade no seu incumprimento. Não há IPJ nem há informação sobre a sexualidade e os métodos contraceptivos em todo o lado. É aí que reside a chave para acabar com o flagelo dos abortos clandestinos!
JDC