Monday, October 23, 2006

Continuando…

        Sim, Nietzsche afirmava que todo o ser humano era profundamente egoísta e que o altruísmo era irreal. Mas é como tu dizes: na base de qualquer filosofia têm de estar axiomas, Verdades, de onde parte tudo o resto. Assim, eu e tu como cristãos, partimos da Sua mensagem, é ela o nosso absoluto. Quem está certo e quem está errado? Infelizmente isto não é um teorema matemático que possa ser demonstrado ou refutado. Temos que fazer o nosso salto de fé.   

    Quanto á revelação, antes de mais nada, não é por seres pescador que és menos inteligente que um fariseu! Posto isto, quero esclarecer que por inteligência não me refiro a intelectualidade. São coisas diferentes! Ser-se inteligente, o que nos distingue dos animais, é sermos capazes de raciocínios plenamente abstractos, sermos capazes de por as perguntas “de onde viemos”, “para onde vamos”, “o que somos”, de termos noção da finitude da nossa condição física. Partindo deste ponto de vista, por certo concordarás que se a revelação fosse feita a um australopitecus não teria grande sentido… Por outro lado, o cristianismo não começou exclusivamente em Cristo, mas sim um bom punhado de anos antes com o Antigo Testamento.

    Se ao dizeres que ao sairmos das cavernas afastamo-nos de Deus porque perturbamos a Natureza e temos muito maior capacidade de fazer mal, tenta abstrair conhecimento e inteligência do uso que deles fazemos. Afinal de contas, Nobel inventou a dinamite e agora os maiores cientistas, inclusive humanitários, ganham prémios com o nome deste senhor. Se Deus é criador do Universo e todas as suas leis, de toda a sua ciência, então qualquer progresso no sentido de conhecer essas leis, essa ciência, é, em última análise, um passo em frente no conhecimento do próprio Criador!!! Quem de nós, ligados às áreas das ciências, não ficou fascinado pela forma como tudo se encaixa, como todo o comportamento do mundo real parece em harmonia perfeita? Não veremos, também aí, toda a magnificência de Deus?

      Em suma, toda esta discussão se resume ao primeiro parágrafo do que escrevi: temos sempre que dar um salto de fé, mesmo que seja na mais disparatada filosofia, e definir as nossas premissas, aquilo que para nós se apresenta como Verdades absolutas. A partir daí (se dermos esse salto para o Cristianismo), conceitos como “corrupção”, “egoísmo”, etc…, serão sempre maus, mesmo que as nossas acções não dependam deles!

      JDC

 P.S.: agradeço imenso o livro recomendado, mas sou um leitor muito lento e estou a meio de um livro neste momento. Pode ser que alguém me ofereça esse no Natal!

    

Posted by templars at 21:44:18 | Permalink | Comments (3)

Sunday, October 22, 2006

Filosofia domingueira

   Se acreditares no dom da inteligência, criatividade, da cultura em geral, obviamente que sair das cavernas foi um grande passo em frente. Afinal de contas, as Escrituras datam bastante depois de sairmos das cavernas, por algum motivo foi! Chegamos a um nível capaz de compreender a Sua mensagem e actuarmos responsavelmente segundo ela. Antes disso, seriamos meros seres em sobrevivência… A nossa capacidade de compreender e alterar o meio é que é Boa ou Má consoante o uso que lhe dermos!!

    Quanto ao egoísmo, eu sou apologista do valor absoluto de certos ideiais: afinal de contas, ainda hoje ouvi uma leitura que nos diz que Jesus veio para nos servir e não para ser servido. Queres maior prova de renúncia ao egoísmo?

    Agora, como distinguir o que é absoluto do que é relativo?

 

JDC

 

P.S.: Este post vem a propósito disto

Posted by templars at 20:09:11 | Permalink | Comments (2)

Saturday, October 21, 2006

Eu voto não

    Não vou aqui pregar o “não” ao próximo referendo. Não tenho carisma social para vos convencer. Mas quero que reparem em algo que me parece fundamental para responder á questão:

    Ao contrário do prisma da esquerda, que só vêm a mulher grávida e os seus direitos e a inevitável negação do controlo sobre o seu próprio corpo, parece-me que o essencial é discutir a vida que se gera e se torna humana. Isto é, não pretendo obrigar nenhuma mulher a ser mãe e a amar o seu filho; pretendo que nós, como sociedade, protejamos os direitos de quem, mais do que qualquer outra pessoa no mundo, não tem como se manifestar, como marcar presença, como manifestar-se, fazer greve ou aparecer na televisão. Pretendo responsabilizar as mulheres e os homens pelos seus actos, pois se a gravidez é indesejada, que se evite. Se não se quer ser mãe (nem pai) não é no aborto que está a solução.

    Mas mesmo assim, se se quiser falar dos pobres e mais desfavorecidos socialmente que não têm acesso a meios contra-ceptivos e etc falo em duas coisas:

    - IPJ - são de graça.

    - Já imaginaram (caso ganhe o sim) a mulher entre os 15 e os 25, vivendo num bairro social, engravidada pelo seu namorado com mais 5 anos que ela que não quis usar o preservativo, a sofrer a pressão constante de todos á sua volta para abortar, quando ela não o quer fazer? Não é um episódio absurdo nem tão pouco seria incomum. Não estaria aí uma violação ainda maior do direito da mulher sobre o seu corpo que, por ser uma violação velada e silenciosa, seria ainda mais grave?

    Claro que não podemos assobiar para o lado e dizer que tudo está bem. Uma mulher que aborte não merece ir para a cadeia: todos os que a ajudaram sim. Como sociedade, ao impormos regras temos que, ao mesmo tempo, possibilitar o seu cumprimento de forma aceitável e castigar de forma justa cada responsabilidade no seu incumprimento. Não há IPJ nem há informação sobre a sexualidade e os métodos contraceptivos em todo o lado. É aí que reside a chave para acabar com o flagelo dos abortos clandestinos!

 

JDC 

Posted by templars at 15:08:42 | Permalink | Comments (2)

Filosofia domingueira

Digam-me de vossa opinião:

 

As ideias, de um ponto de vista moral, só têm valor a partir do momento em que as nossas acções dependem delas. É a minha opinião.

A teoria das super-cordas não influencia os actos morais de ninguém e, por isso, não é Boa nem Má, é apenas uma ideia! A corrupção, por outro lado, é uma Má ideia, por razões óbvias…

O buraco nesta filosofia domingueira é o seguinte: essa mesma corrupção, é sempre Má, mesmo que não haja nada para corromper! Isto é, mesmo com impossibilidade física/social/económica, o conceito “corrupto” é sempre Mau!

Existirão dois tipos de ideias: as de valor inato e as casualistas (cuja moralidade surge intrinsecamente relacionada com as nossas acções)? Se assim for, como as distinguir?

Para ajudar a confusão, temos ideias ambivalentes, como a ambição: demasiada ambição torna-nos egoístas (um Mau conceito) mas é precisamente a ambição humana de se superar continuamente que nos tem levado para a frente, para fora das cavernas…

 

Digam-me de vossa opinião

 

JDC

 

P.S.: Mérito para ti, Luzes, que me esburacaste a teoria ;)

Posted by templars at 14:54:07 | Permalink | Comments (2)

Tuesday, October 3, 2006

Paradoxo

A fé constrói-se de forma pessoal mas vive-se de forma comunitária…

 

JDC 

Posted by templars at 18:08:23 | Permalink | Comments (1) »