Continuando…
Sim, Nietzsche afirmava que todo o ser humano era profundamente egoísta e que o altruísmo era irreal. Mas é como tu dizes: na base de qualquer filosofia têm de estar axiomas, Verdades, de onde parte tudo o resto. Assim, eu e tu como cristãos, partimos da Sua mensagem, é ela o nosso absoluto. Quem está certo e quem está errado? Infelizmente isto não é um teorema matemático que possa ser demonstrado ou refutado. Temos que fazer o nosso salto de fé.
Quanto á revelação, antes de mais nada, não é por seres pescador que és menos inteligente que um fariseu! Posto isto, quero esclarecer que por inteligência não me refiro a intelectualidade. São coisas diferentes! Ser-se inteligente, o que nos distingue dos animais, é sermos capazes de raciocínios plenamente abstractos, sermos capazes de por as perguntas “de onde viemos”, “para onde vamos”, “o que somos”, de termos noção da finitude da nossa condição física. Partindo deste ponto de vista, por certo concordarás que se a revelação fosse feita a um australopitecus não teria grande sentido… Por outro lado, o cristianismo não começou exclusivamente em Cristo, mas sim um bom punhado de anos antes com o Antigo Testamento.
Se ao dizeres que ao sairmos das cavernas afastamo-nos de Deus porque perturbamos a Natureza e temos muito maior capacidade de fazer mal, tenta abstrair conhecimento e inteligência do uso que deles fazemos. Afinal de contas, Nobel inventou a dinamite e agora os maiores cientistas, inclusive humanitários, ganham prémios com o nome deste senhor. Se Deus é criador do Universo e todas as suas leis, de toda a sua ciência, então qualquer progresso no sentido de conhecer essas leis, essa ciência, é, em última análise, um passo em frente no conhecimento do próprio Criador!!! Quem de nós, ligados às áreas das ciências, não ficou fascinado pela forma como tudo se encaixa, como todo o comportamento do mundo real parece em harmonia perfeita? Não veremos, também aí, toda a magnificência de Deus?
Em suma, toda esta discussão se resume ao primeiro parágrafo do que escrevi: temos sempre que dar um salto de fé, mesmo que seja na mais disparatada filosofia, e definir as nossas premissas, aquilo que para nós se apresenta como Verdades absolutas. A partir daí (se dermos esse salto para o Cristianismo), conceitos como “corrupção”, “egoísmo”, etc…, serão sempre maus, mesmo que as nossas acções não dependam deles!
JDC
P.S.: agradeço imenso o livro recomendado, mas sou um leitor muito lento e estou a meio de um livro neste momento. Pode ser que alguém me ofereça esse no Natal!